Gabriel Ferreira Psicólogo

Terapia em Novo Hamburgo

Burnout e questões do trabalho: terapia em Novo Hamburgo

Um expediente inteiro sem vontade de abrir o e-mail, um chefe que virou motivo de irritação constante, a sensação de estar sempre atrasado em alguma coisa. O esgotamento no trabalho quase nunca chega de uma vez: ele se instala devagar e costuma ser tratado como falta de adaptação até que a reserva acaba. Este é um dos temas que mais acompanho em terapia.

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Os três sinais clássicos do burnout

Nem toda fase difícil no trabalho é burnout. Existe diferença entre uma semana corrida e um esgotamento que se arrasta por meses sem ceder nem no fim de semana. Nas sessões, o quadro chega descrito com três palavras:

  • Exaustão. O cansaço que o sono não resolve e que continua ali mesmo depois de dormir o suficiente.
  • Desconfiança. O que antes era desafio passa a ser peso, e qualquer mudança na rotina vira ameaça.
  • Distanciamento. A pessoa segue presente no horário, mas se descreve apenas como “fazer o que tem que ser feito”, sem se importar com o resultado.

O burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional. Saber disso ajuda a tirar o assunto do campo da falta de vontade ou da fragilidade de caráter — e a levá-lo a sério.

O que diferencia burnout de um cansaço comum

O cansaço comum tem começo, meio e fim: aparece após um período intenso, some com um bom final de semana, e a pessoa volta ao ritmo anterior. O burnout não tem esse botão de desligar: persiste nas férias, tolera mal o pensamento de voltar e se acumula aos poucos.

Um teste simples é observar o que acontece com o sono, o humor e o corpo no fim de semana. Se a exaustão continua ali, sem alívio, o quadro merece atenção. Quando vem acompanhada de palpitações ou insônia difícil, o tema se aproxima do que descrevo em ansiedade e estresse.

Por que descansar não resolve

Muita gente tenta resolver o problema no fim de semana e volta na segunda-feira igual. Isso acontece porque a exaustão não está só no corpo: ela está ligada ao que o trabalho significa. Um feriado resolve o cansaço físico e não toca em um cargo que exige mais do que a pessoa deseja dar.

Quando a fonte é o vínculo com o trabalho e não apenas a carga, descansar alivia por pouco tempo. A terapia abre espaço para examinar o que está sendo sustentado e por quê. Muita gente chega aqui depois de um luto ou de uma mudança de fase da vida, e às vezes o trabalho ocupa o lugar que ficou vago; nesse caso, o trabalho com luto e términos entra junto.

Conflitos, chefia e cobrança

Muitas pessoas chegam descrevendo o problema como “eu não dou conta da minha chefe” ou “não consigo mais lidar com essa pessoa”. O conflito de trabalho é real e, às vezes, a solução é prática: uma conversa, uma mudança de função, um documento claro do que se espera.

Ao mesmo tempo, boa parte dessas situações carrega uma pergunta sobre o próprio valor: se eu não entrego o que pedem, o que sobra de mim? Sem responder a isso, qualquer mudança de chefia acaba representando a mesma coisa. Na terapia, essa pergunta é trabalhada junto com o conflito, e não no lugar dele.

A identidade e o valor profissional

Para muita gente, a profissão organiza a vida inteira: é o que aparece na conversa e o que dá sentido ao dia. Quando o trabalho passa a funcionar só como obrigação, é comum uma sensação estranha de desalinho, como se a pessoa tivesse se perdido de si mesma.

Quando a cobrança externa é maior do que o valor interno, qualquer conquista passa a ser irrelevante e qualquer erro vira prova. Trabalhamos essa diferença: entender de onde vem a necessidade de ser reconhecido e como seguir trabalhando sem depender da aprovação do outro o tempo todo. Se há desânimo duradouro e perda de interesse fora do trabalho, o quadro se aproxima de depressão e de temas de ansiedade social, autoestima e humor.

“Burnout não se resolve aumentando a capacidade de suportar mais. Se resolve olhando o que essa relação com o trabalho já não consegue sustentar.”

Quando combinar a terapia com o médico do trabalho

Há situações em que a terapia, sozinha, não basta. Quando há insônia persistente, perda de apetite, uso de álcool ou remédios para encarar o dia, ou quando o esgotamento afeta a saúde física, a avaliação de um médico do trabalho ou de família faz sentido, muitas vezes junto com a terapia e não no lugar dela.

Eu não faço diagnóstico nem afastamento. O que faço é avaliar o que está em jogo do ponto de vista psicológico e, se houver necessidade de acompanhamento médico, encaminhar. Psicólogo não prescreve remédio nem atesta incapacidade para o trabalho.

Presencial em Novo Hamburgo ou online

O atendimento presencial é em Novo Hamburgo e cidades próximas. O endereço é enviado no primeiro contato.

Para quem vem de mais longe, tem dificuldade de deslocamento ou trabalha em home office, a terapia online por videochamada funciona muito bem para este tema, porque parte importante do trabalho acontece na escuta do relato, não no contato físico.

O que esperar das primeiras sessões

As sessões duram cerca de 50 minutos e costumam ser semanais. Nos primeiros encontros não é preciso contar tudo de uma vez, nem chegar com um diagnóstico pronto: o trabalho começa pela escuta da história profissional e pela forma como a cobrança se acumulou.

Em geral, ao longo das sessões já dá para perceber o que sustenta o ciclo: qual é a demanda que ficou sem espaço e o que a pessoa precisa para se reconhecer no trabalho. A partir daí construímos um caminho realista, sem prometer resultados imediatos. A mudança vem do trabalho conjunto, no seu ritmo.

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