Chegar sem um problema definido
A objeção mais comum que ouço é: “mas eu não tenho nada de grave, não é realmente um caso de terapia?”. A pergunta faz sentido, porque terapia tem fama de ser para quem está em crise, e muita gente não se reconhece nessa descrição. O que costuma estar por trás é uma sensação de desencontro: a vida vai acontecendo e a pessoa acompanha, mas sem saber bem quem está no comando.
Vale dizer que isso não é pouco. Autoconhecimento não é um luxo nem um assunto de quem tem tempo sobrado. É o que dá direção às escolhas — de carreira, de relação, de prioridade — e é o que permite notar um padrão antes que ele se repita pela quinta vez.
Como a busca por si mesmo aparece no atendimento
Os questionamentos que mais aparecem nesse tipo de processo são:
- a sensação de viver a rotina dos outros, mesmo sabendo que não quer;
- decisões importantes adiadas porque não se sabe o que se quer de fato;
- repetir relações ou escolhas profissionais que já deram errado e continuam voltando;
- uma curiosidade sobre si que nenhum curso, livro ou vídeo resolveu;
- a dúvida sobre o que fazer da vida depois de uma fase que se encerrou.
Crise de identidade e transições
Há também quem chegue nesse assunto por causa de uma transição concreta: o fim da faculdade, a saída de casa, o nascimento de um filho, a aposentadoria, a mudança de cidade. Transições costumam desmontar a resposta que a pessoa tinha sobre si mesma, e é natural que sobre um vácuo até que a nova se organize. Quando o vazio vem acompanhado de apatia, insônia ou perda de interesse, vale conhecer também o trabalho sobre autoestima e humor.
Para quem tem o diploma na parede e o vazio por perto
É comum que a pessoa chegue à terapia já tendo lido muito sobre si mesma. livros, podcasts, testes de personalidade, cursos. Nada disso é erro, e tudo isso pode ajudar. Mas existe uma diferença entre entender alguém que escreveu sobre experiência humana e conseguir olhar para a própria experiência sem se proteger. A segunda parte não se resolve lendo — ela precisa de um interlocutor.
Quando o incômodo é a sensação de não se reconhecer, com autocrítica pesada ou medo de exposição, o trabalho se aproxima do que descrevo em autoestima, ansiedade social e humor.
Diferença entre terapia e coaching
A pergunta mais frequente sobre este tipo de atendimento é sobre a diferença para o coaching. Vale explicar:
- Coaching trabalha metas, desempenho e estratégias, com número de sessões frequentemente definido.
- Psicoterapia trabalha a experiência humana em profundidade: como a pessoa se relaciona consigo mesma, de onde vêm os padrões que se repetem e o que os sustenta.
Os dois podem ser úteis e, às vezes, complementares. Mas respondem a perguntas diferentes. Se o que você quer é saber como alcançar um resultado, coaching. Se o que você quer é entender por que o mesmo resultado aparece sempre da mesma forma, terapia.
Adolescentes: a primeira estruturação da identidade
Na adolescência, a pergunta “quem sou eu?” deixa de ser retórica. É quando o outro tem mais peso, quando a opinião do grupo vira régua e quando a comparação com os pares dói mais do que em qualquer outra fase. Atendo adolescentes a partir dos 13 anos, e nesse trabalho a família costuma participar: quanto mais o ambiente autoriza o adolescente a falar, menos o corpo precisa carregar sozinho.
Quando a queixa principal é timidez, exposição ou julgamento, o caminho mais direto está em ansiedade e estresse.
Como o trabalho é conduzido
Com orientação psicanalítica, autoconhecimento não vira um exercício de autoconhecimento, nem uma lista de traços de personalidade. O trabalho é mais demorado e mais útil:
- Observar a repetição. A pessoa escolhe uma situação recente e examina o que sentiu, o que pensou e o que fez — muitas vezes o mesmo movimento de anos antes.
- Reconhecer a história por trás da escolha. Quase sempre existe uma exigência antiga, geralmente de origem familiar, que ainda organiza as decisões.
- Distinguir o que é desejo do que foi programado. Separar “eu quero isso” de “foi assim que me ensinaram a querer” leva tempo e quase nunca cabe numa sessão.
Não existe técnica para se entender, e eu não vou prometer um resultado específico nem um prazo. O que existe é um espaço constante para pensar junto.
“Ninguém chega na terapia sabendo o que dizer. Muita gente chega dizendo que quer se entender melhor, e essa é uma das razões mais honestas para começar.”
Presencial em Novo Hamburgo ou online
O atendimento presencial é em Novo Hamburgo e cidades próximas. O endereço é enviado no primeiro contato.
Como o trabalho de autoconhecimento depende de tempo e de constância, o atendimento por videochamada costuma funcionar bem — especialmente para quem mora em outra cidade ou tem rotina irregular.
Atendo adolescentes, adultos e idosos, com convênios Ipasem, Saúde Pas, CCG e Unimed, e também pacientes particulares. Sobre medicação, a decisão é médica.
O que esperar das primeiras sessões
As sessões duram cerca de 50 minutos, em geral semanais. Nas primeiras, quase todo o tempo vai para entender: o que trouxe você aqui, o que já foi tentado, e qual é a pergunta que está por trás da pergunta. Não é preciso chegar com clareza — é justamente essa a trava que a terapia ajuda a soltar.
Se a busca por si mesmo vier acompanhada de apatia persistente, insônia ou pensamentos de risco, o caminho passa por avaliação. A terapia não é serviço de emergência: nesse caso, procure SAMU 192, CVV 188 (24 horas, gratuito) ou o pronto atendimento mais próximo.